SOMOS O QUE PENSAMOS
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformais-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Paulo, em sua Epístola aos Romanos, no capítulo 12, versículo 2, adverte a Igreja do primeiro século acerca da 'forma' que esta estava tomando em relação ao sistema sócio-espiritual que dominava o mundo daquela época e que naquele momento vinha como uma forte influência de fora para dentro da convivência e da doutrina Cristã. Não muito diferente dos nossos dias, quando enfrentamos as mesmas ameaças que a Igreja em Roma enfrentava, e quando, muitas vezes, corremos o risco de ver a Igreja ou parte dela, se moldando aos padrões seculares que em nada combinam com a vontade de Deus. (“E não vos conformeis com este mundo...”)
O Apóstolo sabia que só teria uma Igreja ajustada aos princípios da Palavra de Deus, quando esta entendesse o tempo que estava vivendo e experimentasse uma transformação que viria primordialmente de uma mudança de atitude mental, ou seja, de uma mudança de pensamento, trazendo assim uma mudança comportamental que proporcionaria a experiência de ver a vontade de Deus sendo realizada na sua plenitude. (“...mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”).
A advertência de Paulo da-nos a idéia bem clara de que “somos o que pensamos”, ou seja, se quisermos mudança de atitude precisamos mudar nossos pensamentos, que são a origem de todas as nossas ações. Ou alguém faz alguma coisa sem pensar? Até mesmo aqueles de quem muitas vezes nos referimos como sendo pessoas que “fazem as coisas sem pensar”, podem não pensar nas conseqüências dos atos praticados, mas pensam no que vão fazer.
Não mudamos atitudes sem renovação da nossa mente.
Salomão, escrevendo há quase 1000 anos antes das Epístolas de Paulo, fazia uma análise da vida do homem que tinha pensamentos retos: este era, considerado pelo sábio Rei, o “homem justo”. (“Os pensamentos do justo são retos,...” Pv 12.5).
O próprio Apóstolo Paulo, escrevendo a outra Igreja - esta localizada em Filipos, na Macedônia Oriental - com um propósito, entre outros, de apresentar um modelo de vida cristã dinâmica, dependente da graça de Cristo, chama a atenção dos Filipenses no capítulo 4 da Epístola a respeito de atitudes que deveriam ser tomadas por eles - firmeza espiritual (v.1), sentimento comum (v.2), ajuda mútua (v.3), regozijo constante (v.4), eqüidade notória (v.5), confiança em Deus (v.6), etc. Porém, não determina que estas atitudes seriam automáticas ou diretas, mas ele completa o “raciocínio espiritual” no versículo 8, quando faz uma chamada aos irmãos no sentido de que voltassem os seus pensamentos para as virtudes que gerariam neles força suficiente para colocarem em prática as recomendações anteriores. E o que geraria esta força na vida de um Cristão? O que poderia ser um ambiente propício para a ação impulsionadora do Espírito Santo na vida do Crente? A resposta me parece muito clara: “Quanto ao mais irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso PENSAI.” (Fp 4.8)
Trazendo estas recomendações de Deus para os nossos dias, fico curioso para saber o que estaria realmente tomando conta do pensamento da Igreja. O que estaria dominando a mente dos cristãos do século XXI? Será que temos envolvido nossas mentes em coisas que gerem transformação de vida, renovação de propósitos?
Quanto mais nos envolvemos mentalmente com o mundo, mais tomaremos a sua forma, porém, quanto mais edificados formos em nossas mentes, de acordo com a Palavra de Deus, mais semelhantes a Cristo nos tornaremos, e nos assentaremos com Ele nas alturas, nos lugares celestiais (Ef 2.6). Por isso, vale muito mais atentar para o que diz a bíblia em Colossenses 3.2-3:
 “Pensai nas coisas que são de cima e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a   vossa vida está escondida com Cristo em Deus”.
Pr. Jéferson Schimitt |